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Descomplicar Para Empoderar: 3 Dicas Reais Para Você Colocar Em Prática e Transformar a Sua Vida!

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Descomplicar Para Empoderar: 3 Dicas Reais Para Você Colocar Em Prática e Transformar a Sua Vida!

Descomplicar Para Empoderar: Três Dicas Reais Para Você Colocar Em Prática e Transformar Sua Vida

O ano é 1998. Eu estou ouvindo Chiquititas no meu quarto quando, de repente, no auge do “Mexe, mexe, mexe com as mãos”, uma luz forte entra pela janela. Parecia uma bola de luz, meio furta-cor. Mesmo sem entender nada, eu não fiquei com medo. Me senti acolhida, a sua energia me aquecia. De repente, eu ouvi uma voz que me dizia mensagens lindas, de empoderamento, de grandeza. Ela dizia assim: “Se ame apesar de tudo, não se cale, e cuide das suas irmãs”. Após sua visita, eu nunca mais fui a mesma garota. 

Calma, caro leitorx! Isso não aconteceu de verdade. Foi só algo que imaginei e que gostaria muito que tivesse ocorrido. Quando fui convidada pela Victoria para escrever sobre empoderamento feminino me senti honrada. É um tema forte, grandioso, e de extrema importância para o convívio social. Mas, no momento que eu comecei a digitar meu texto, não conseguia afunilar sobre o que falar. Depois de muito pensar, decidi que a melhor forma seria dando algumas “orientações” que eu gostaria de ter ouvido quando criança. O que teria me ajudado, ou pelo menos tornado minha jornada mais amena?

Dica 1: Se Ame do Jeito Que Você é!

Minha primeira sugestão para você se empoderar como mulher é se amar. Assim, do jeitinho que você é. Pode parecer algo clichê, mas tem grande valor. Uma das lições primordiais que a vida me ensinou é que o diferente é bom. Que mesmo que meu cabelo não está liso igual ao da menina na novela, ele é lindo assim, cacheado. E mesmo que meu corpo não seja igual ao da modelo no desfile da “Victoria’s Secret”, ele é incrível assim, curvilíneo. Eu sei que na teoria é muito fácil fazer essas afirmações, mas isso é algo que precisamos trabalhar em nós, sempre. Mesmo que o “diferente” ainda sofra muito no âmbito social, os padrões estão se quebrando, e o as pessoas estão passando a ter mais liberdade para serem elas mesmas em sociedade. 

*Para colocar em ação: Todos os dias ao acordar, vá para frente do espelho, se olhe e diga em voz alta coisas positivas sobre você. Descubra o que você mais ama no seu corpo e na sua personalidade e repita isso para você mesma todos os dias. Garanto que você vai passar a se ver com outros olhos.

Dica 2: Não Se Silencie!

Minha segunda sugestão é que você não se cale jamais. Quando digo “não se cale”, quero dizer para você não se silenciar em situações que você gostaria de ter tido uma voz. Deixa-me dar um exemplo para que fique mais claro: sabe aquela vez que seu tio fez uma piadinha machista no almoço de domingo? Na próxima, explica para ele que isso é incorreto, que ao fazer uma piada assim ele está reforçando um preconceito. Eu sei que parece algo “bobo”, mas eu garanto que no seguinte encontro familiar ele vai pensar duas vezes antes de fazer uma piada assim. Em muitos casos a mulher que se expressa é vista como louca, mandona e agressiva, pois ela incomoda muito. E não existe nada de errado nisso. Lembre-se que quando você verbaliza está ajudando várias mulheres. Sua fala vale por todas nós. Isso te dará força.

*Para colocar em ação: Quando você estiver na faculdade ou no trabalho, e sofrer algum tipo de assédio verbal (que são os mais comuns), mate o assediador com educação. Diga, com toda a finesse do mundo, que aquilo não te agrada e você se sente desrespeitada. Sua educação vai cortar as assas dele na hora. Claro que existem situações que nem compensa perder seu tempo, mas se for em um caso que você não corre risco, fale! Pode parecer bem difícil no começo, mas aos poucos você vai se sentir cada vez mais segura.

Dica 3: Sororidade!

Nunca entendi o porquê da ideia de que mulheres devem ser inimigas umas das outras. Seria uma competição pela atenção dos homens, ou pelo posto de “mais bonita”? Quem ensinou isso para nós, gente? Para quem não sabe, o termo “sororidade” significa uma união entre mulheres, baseado em companheirismo e empatia, que estão em busca de um objetivo comum. Ou seja, irmandade. Isso significa cuidar umas das outras, ao invés de querer ser melhor que fulana ou beltrana. É saber que existe uma rede de apoio entre nós. Como a sororidade é baseada na reciprocidade, isso significa você será totalmente beneficiada também. Pensa que maravilha seria se pudéssemos ter alguém com quem contar? Vamos unir nossas energias femininas para o bem. 

*Para colocar em ação: Carregue um absorvente sempre na bolsa, mesmo que você não esteja menstruada. Pode ser que um dia você salve a vida de uma mulher que está de calça branca, prestes a fazer uma apresentação de trabalho, e acabou de se dar conta que “desceu”. Ou até mesmo ajudar sua amiga trans, que está no início do seu processo transexualizador, e ainda está aprendendo como cuidar das unhas e para que serve o primer. Tudo isso se ela tiver interesse e quiser, é claro. O que importa é se ajudarem. Quando a gente se une e se ama, nossa força cresce e ganha embasamento.

Para concluir, deixo bem claro que mesmo com todas essas convicções, eu ainda tenho um trabalho duro pela frente. O processo de desconstrução é contínuo e diário, e ainda existem muitos obstáculos a serem percorridos. Mas, enquanto a gente não chega lá por completo, o mais importante é que a gente se ame muito, que não tenhamos medo de ter uma voz, e último, mas não menos importante, que a gente se una nessa caminhada. Who run the world? Girls!

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